Misteriosa 'faixa' de ferro surge em uma das nebulosas mais conhecidas do céu; entenda
20/01/2026
(Foto: Reprodução) Imagem da Nebulosa do Anel (Messier 57), feita a partir de diferentes comprimentos de onda. O anel brilhante é resultado da emissão de oxigênio, e a faixa no centro, de ferro ionizado.
Roger Wesson et al/MNRAS
Uma estrutura inédita composta por ferro ionizado (ou seja, eletricamente carregado) foi recentemente identificada por cientistas no interior da Nebulosa do Anel, um dos objetos mais conhecidos e observados do nosso céu.
Apesar de a nebulosa ser estudada há séculos e já ter sido registrada por telescópios modernos como o super James Webb, a formação nunca havia sido detectada e só agora veio à tona graças a um novo tipo de observação (veja a IMAGEM acima e entenda mais ABAIXO).
🌌ENTENDA: Uma nebulosa é uma grande nuvem de gás e poeira no espaço. Ela pode surgir quando estrelas nascem ou quando estrelas antigas morrem e espalham seu material pelo Universo.
Na imagem, é possível ver que a "faixa" de ferro aparece atravessando a região central da nebulosa e se encaixa dentro do anel gasoso que dá nome ao objeto.
Segundo os pesquisadores por trás do estudo, o comprimento da estrutura equivale a cerca de 500 vezes a órbita de Plutão. Já sua massa total de ferro é comparável à de Marte.
“Quando processamos os dados e analisamos as imagens, algo ficou imediatamente claro: essa ‘faixa’ até então desconhecida de ferro ionizado, bem no centro do anel”, afirmou Roger Wesson, autor principal do estudo e astrônomo da University College London e da Cardiff University.
Em termos astronômicos, trata-se de uma quantidade expressiva de material concentrada em uma região que parecia bem conhecida.
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Por isso, a presença dessa concentração de ferro chama a atenção dos astrônomos. A Nebulosa do Anel se formou quando uma estrela semelhante ao Sol chegou ao fim da vida, esgotou seu combustível nuclear e expulsou suas camadas externas ao espaço.
Desde então, o material ejetado do objeto passou a formar uma grande nuvem de gás iluminada pelo núcleo quente remanescente da estrela, criando a estrutura circular observada hoje.
Esse é um destino inclusive esperado para o nosso próprio Sol daqui a alguns bilhões de anos.
Como foi feito o estudo
A identificação da faixa só foi possível graças ao WEAVE, um novo instrumento instalado no telescópio William Herschel, nas Ilhas Canárias.
Diferentemente de câmeras tradicionais, o equipamento permite analisar a luz da nebulosa ponto a ponto e separá-la em seus diferentes comprimentos de onda. Dessa forma, ele atua como um mapa químico detalhado.
Ao examinar esses dados, os astrônomos encontraram então uma emissão intensa associada ao ferro ionizado, o que identificou a faixa.
“O WEAVE nos permitiu observar a nebulosa de uma forma nova, com um nível de detalhe muito maior do que era possível até agora", acrescentou Wesson.
A Nebulosa do Anel, em registro antigo do James Webb.
UNIVERSITY OF MANCHESTER
A origem da estrutura ainda, porém, é desconhecida. Uma das hipóteses é que a faixa esteja ligada ao próprio processo de expulsão do material pela estrela, que registrou variações pouco compreendidas dessa fase final.
Outra possibilidade, considerada mais intrigante pelos cientistas, é que o ferro seja o resultado da vaporização de um planeta rochoso, destruído quando a estrela se expandiu antes de morrer.
Para avançar nessa resposta, os pesquisadores planejam novas observações com maior resolução e querem verificar se outros elementos químicos aparecem associados ao ferro.
Isso pode ajudar a indicar, por exemplo, se a estrutura se formou apenas a partir do material da estrela ou se envolve restos de corpos sólidos. A equipe também pretende procurar formações semelhantes em outras nebulosas da Via Láctea.
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