Está chovendo mais granizo em SP? Especialistas explicam fenômeno e falam sobre medição
15/01/2026
(Foto: Reprodução) Granizo na Grande SP
Reprodução
Apenas nos últimos seis dias, choveu granizo em quatro datas diferentes na Grande São Paulo. E o fenômeno vinha acontecendo já no fim de 2025 junto de fortes chuvas, ventania e alagamentos.
Em 8 de janeiro, houve registro na Zona Sul da capital, no Brooklin;
No dia 9, moradores de Osasco foram surpreendidos com a grande quantidade de granizo que caiu após um dia de forte calor;
Na última terça (13) também houve presença do fenômeno na capital;
Nesta quarta (14), houve registro em Pinheiros, na Zona Oeste;
Em dezembro, uma chuva com gelo chegou a derrubar o teto e quebrar vidraças na Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP).
Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que o fenômeno tende a ser mais comum no verão -- já que o aumento das temperaturas favorece a sua ocorrência -- e apontam que a maior frequência em eventos do tipo pode estar associada ao aumento da temperatura média, observada pelas sucessivas quebras de recorde de calor.
⛈️🧊 Afinal, está chovendo mais granizo em São Paulo?
Ao mesmo tempo, eles alertam que não há instrumentos específicos capazes de medir a queda de granizo, o que dificulta afirmar com precisão se o número de episódios aumentou.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
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Segundo o meteorologista César Soares, da Climatempo, a primeira explicação passa por entender como o granizo se forma e por que ele aparece com mais frequência nos meses mais quentes do ano.
“O granizo é supercomum durante os temporais de verão. Por quê? Durante o verão, a gente tem muito calor na atmosfera. Esse calor acaba fazendo com que a gente tenha correntes de vento internas muito fortes dentro das nuvens, fazendo com que as partículas de gelo subam e desçam várias vezes dentro de uma mesma nuvem, aí há a formação do granizo, que é uma pedra de gelo grande que esses ventos dentro da nuvem não conseguem mais segurar”, explicou.
Essas nuvens responsáveis pelos temporais são as chamadas cumulonimbus, conhecidas pelo grande desenvolvimento vertical e pela capacidade de produzir fenômenos severos, como chuva intensa, rajadas de vento, raios e granizo.
De acordo com o meteorologista, além de ser um fenômeno típico do verão, o granizo tende a ocorrer com mais frequência em cenários de calor mais intenso.
No fim de dezembro, dia após dia, a capital quebrou recordes históricos de calor para o mês:
Começou no dia do Natal, com 35,9°C, superando a maior máxima de 35,6ºC registrada em 3 de dezembro de 1998;
Já no dia 26, os termômetros bateram 36,2ºC;
E no dia 28 de dezembro, no apagar das luzes de 2025, o sol forte brilhou, e a capital atingiu 37,2ºC.
O que a gente anda observando? Em condições de calor mais intenso, o granizo acaba se formando com uma frequência maior. E a gente vem batendo recordes sucessivos de temperaturas altas. A média global de temperaturas está aumentando. Com isso, os eventos associados a condições de excesso de calor também vão ficando cada vez mais frequentes, como é o caso do granizo. Numa atmosfera muito mais aquecida, a chance de a gente ter granizo é muito maior.
“É muito difícil a gente ter uma condição de medições de granizo, porque o granizo é uma variável meteorológica que é visual. Não existe nenhum instrumento que meça granizo, que indique a presença dele”, disse Soares. “É um dado um tanto difícil de conseguir exatamente por não ser algo tão prático de medição."
No mesmo sentido, o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), órgão da Prefeitura de São Paulo, relatou que também depende de informações indiretas para confirmar a ocorrência do fenômeno. Segundo os meteorologistas do órgão, a confirmação oficial da queda de granizo não é feita por radar.
“O CGE só confirma a queda de granizo quando o munícipe entra em contato e informa o ocorrido. No portal do CGE, informamos o potencial para a queda ocorrer, mas a confirmação não é feita através de imagens de radar, mas por informação de munícipes”, informou o órgão.
'Não sabia se estava chovendo ou nevando'
Rua fica coberta de granizo em Osasco
Na tarde de sexta-feira (9), uma forte chuva atingiu a capital paulista e a Grande São Paulo. Em Osasco, moradores registraram muito granizo nas ruas da cidade.
No bairro Helena Maria, o granizo era tanto que deixou algumas ruas cobertas de gelo, dando a sensação de que era neve (vídeo acima).
"Não sabia se estava chovendo ou nevando quando começou. Esta foi a pior chuva que já enfrentei em Osasco em toda a minha vida. Fiquei preso dentro de casa com medo de ser atingido pelas pedras grandes de granizo", contou o cinegrafista Jean Silva, de 25 anos.
Granizo em Osasco
Jean Silva/Arquivo Pessoal
Teto de academia e de faculdades da USP desabam
No dia 8 de dezembro de 2025, a chuva de granizo e os ventos fortes que atingiram São Paulo provocaram ao menos três desabamentos: o teto da piscina de uma academia em São Caetano do Sul, no Grande ABC e parte do forro da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) e da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), ambas da Universidade de São Paulo (USP), além de um muro na região da Penha, Zona Leste da capital (foto abaixo).
Em São Caetano do Sul, duas pessoas que estavam na região da piscina tiverem ferimentos leves. A Defesa Civil interditou a academia Inova, que fica na Avenida Goiás.
No campus da USP na Zona Oeste, a FEA informou que placas do forro do saguão do prédio FEA 1 foram danificadas. Vidros dos corredores da fachada também ficaram quebrados. Não houve registro de feridos na universidade.
Parte do forro da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA) desabou devido às fortes chuvas.
Arquivo pessoal